E então vamos sair ou não? Fiquei atormentando meus anfitriões para dar uma volta na cidade, como era meio de semana, não poderíamos demorar, nem poderia ser algo muito longe, principalmente por que teríamos prova no outro dia, mas nada entrada na mente de ninguém naquele dia, nenhum lugar se enquadrava no perfil de “legal, musica bacana, movimentado, perto”depois de muito pensar, ficou acordado de irmos para um barzinho com musica ao vivo etc e tal, meu amigo logo me alertou “Ah lá é um lugar alternativo” qual o problema em ouvir uma boa musica ao vivo, sentar e conversar com os amigos em um lugar que fosse alternativo? Ah, eu adoro lugares alternativos! Como diria minha avó “menino afoito é um problema!” Pelo menos o bom é que eu poderia ir mais a vontade: de short, camiseta e sandália dos apóstolos como adoro andar pelo meio da rua.
Meu amigo surpreso com a minha resposta tão positivista quando estávamos chegando no lugar me questionou “Cara, os melhores sons e ambientes em geral são em lugares GLS só estou te avisando para que tu não se assuste” ah, tudo bem… HAM?! Espera aí, como assim GLS?! Ninguém me falou que um lugar alternativo seria um lugar GLS, isso é mais do que alternativo para minha mente interiorana e mentecapta! Para mostrar que não sou preconceituoso e já que ta no inferno abraça o capeta, neste caso em especial leva uma arma e mete um tiro no satã, acabei indo, afinal já estamos chegando mesmo.
Logo após me conformar e pensar que seria uma ótima oportunidade para quebrar paradigmas e me desvencilhar de eventuais preconceitos, depois de ter uma serie de pensamentos do tipo “o que será que minha avó pensaria se me visse num lugar como este” parei e tive uma crise de riso, daquelas que você olha para si e pensa “isso só acontece comigo”que merda! Estava usando uma camisa rosa! Hahahaha Oh shit! Isso é que dá ficar com presente de ex namorada! Afinal, desgraça pouca é bobagem.
Chegando ao lugar, até que a primeira impressão foi legal, musica legal, ambiente diferente, cada um na sua, pessoal respeita todo mundo e ninguém vinha dar em cima de você do nada, ufa! Cada um na sua era um dos pré-requisitos mais importantes para o sucesso da noite e claro, do meu bem estar. Não posso negar que ver homens passando de mãos dadas foi algo “normal” pra mim, mas liguei o anti-pop up mental e cenas do tipo foram bloqueadas da minha linha de visão e posterior memória, o papo com o pessoal tava ótimo, a musica ao vivo melhor ainda, mas comecei a ficar desapontado a cada momento em que chegava mais e mais mulher bonita, mas ou acompanhada ou do tipo que você não sabia se comia da mesma fruta que você, quando de repente “A moça” entrou no lugar, daquelas que o tempo fica em câmera lenta, borbulhinhas como em animes começam a explanar no lugar, nossa!
Lembro ate da roupa que ela tava vestindo, ter juntamente com as orelhas memória de elefante tem suas vantagens! Eu tinha que ficar com a menina, pelo menos conhecê-la depois de alguns minutos pensando numa boa desculpa(estratégia para os leigos) para ir ate a moça penso num mantra a fim de que meu “eu lírico” me ajudasse neste momento de aflição e pseudo-inibição crio coragem e vou ao encalço armado da pouca vergonha na cara(eu lírico) e o fator de como não ser da cidade se ela me desse um fora eu nunca mais a veria na vida mesmo, como diria meu amigo Eduardo o oráculo contemporâneo “nasci pelado e careca o que vier é lucro” pronto e fui ate a moça nem lembro bem como cheguei pra conversar, mas como o sotaque é algo notório logo a pergunta de onde eu era e o que faria na cidade acabaram surgindo, papo ia papo voltava e eu só pensava em ficar com a menina, cada sorriso eu me derretia, o tempo passava o papo tava muito bom mas eu tinha que tomar atitude, a qualquer hora poderia chegar uma amiga e pedir o gloss dela emprestado por ex aí eu ficaria no vácuo, sabe como é alegria de pobre, sempre dura pouco.
A musica alta ajudava um pouco, os diálogos eram em geral no ouvido o que me deixava a pouco centímetros de beija-la, “Eu vou ou não vou, eu… eu… eu vooou” dei aquela inclinadinha e PUM como num passe de mágica consegui um beijo da moça, não lembro quanto tempo mas deu pra eu repetir na minha mente “caralho e não é que consegui!” umas 50 vezes, quando foi dada aquela brecada ganhei mais uns dois a três beijinho, conversamos mais um pouco, ela deu um sorriso, e me fala “Eu sei que aceitei mas eu gosto de meninas gatinho”.
Festa estranha com gente esquisita eu não to legal…
o.O
Escrito por allisonaju